
A crescente preocupação com impactos ambientais e regulamentações internacionais trouxe à tona uma dúvida recorrente no setor industrial e de óleo e gás: a espuma (LGE) sem flúor compromete o desempenho no combate a incêndio? A resposta não é simples e exige análise técnica, operacional e normativa.
Neste artigo, vamos esclarecer o que é o LGE sem flúor, como ele se compara ao LGE fluorado tradicional, em quais aplicações são eficazes, quais cuidados devem ser adotados e quando sua utilização é recomendada ou não.
O papel da espuma no combate a incêndios
A espuma para combate a incêndio é essencial para o controle de incêndios classe B, envolvendo líquidos inflamáveis e combustíveis, como derivados de petróleo, solventes e produtos químicos. Sua função principal é:
- Abafar o fogo, isolando o combustível do oxigênio
- Resfriar a superfície, reduzindo a reignição
- Formar uma camada estável, impedindo a liberação de vapores inflamáveis
Historicamente, esse desempenho foi alcançado com o uso de espumas fluoradas, especialmente as do tipo AFFF, que utilizam compostos fluorados para rápida formação de filme que permite a espuma “deslizar” sobre o liquido inflamável.
O que são espumas sem flúor
As espumas sem flúor, também conhecidas como F3 (Fluorine Free Foam) ou SFFF (Synthetic Fluorine Free Foam), não utilizam compostos fluorados em sua formulação. Elas foram desenvolvidas para reduzir impactos ambientais e atender a legislações cada vez mais restritivas quanto ao uso de substâncias persistentes no meio ambiente.
Segundo a Agência Europeia de Produtos Químicos (ECHA), compostos fluorados do grupo PFAS apresentam alta persistência ambiental, o que motivou restrições ao seu uso.
Desempenho da espuma sem flúor na prática
A espuma sem flúor é menos eficiente?
Tecnicamente, não é correto afirmar que a espuma sem flúor é ineficiente, mas sim que seu comportamento é diferente. Enquanto espumas fluoradas formam rapidamente um filme aquoso sobre o combustível, as espumas sem flúor atuam principalmente por:
- Formação de manta de espuma mais espessa
- Maior capacidade de resfriamento
- Ação mecânica mais dependente da aplicação correta
Isso significa que o desempenho da espuma sem flúor está diretamente ligado ao projeto do sistema, técnica de aplicação e treinamento operacional.
Estudos comparativos conduzidos por entidades internacionais indicam que espumas sem flúor podem alcançar desempenho equivalente em muitos cenários, desde que corretamente dimensionadas.
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Diferenças operacionais importantes
Técnica de aplicação
Espumas sem flúor exigem aplicação mais controlada, evitando impacto direto excessivo sobre o combustível, que pode quebrar a manta de espuma. Em sistemas mal projetados ou operados, isso pode gerar menor eficiência.
Taxa de aplicação
Em alguns cenários, a taxa de aplicação da espuma sem flúor é maior do que a de espumas fluoradas, exigindo ajustes no dimensionamento de bombas, proporcionadores e reserva de LGE.
Segundo testes reconhecidos internacionalmente, a adequação da taxa de aplicação é um dos fatores críticos para o sucesso da supressão com espumas sem flúor.
Vale ressaltar que para alguns líquidos inflamáveis e aplicações, a destacar tancagens de solventes polares, testes indicam que o LGE sem flúor apresenta desempenho significativamente inferior as espumas fluoradas. Por se tratar de uma tecnologia nova e ainda em desenvolvimento, faz-se necessário mais tempo para evolução da indústria, além de conhecimento advindo de experiencias reais de combate a incêndio.
Compatibilidade com sistemas existentes
Um erro comum é substituir a espuma fluorada por espuma sem flúor sem revisar o sistema existente. Os sistemas projetados para AFFF não são automaticamente compatíveis com o LGE sem flúor.
É fundamental avaliar:
- Proporcionadores
- Esguichos e canhões monitores
- Taxa de aplicação
- Tempo de descarga
- Capacidade dos tanques de LGE e bombas
Sem essa análise, o desempenho pode ser comprometido, não pela espuma em si, mas pela incompatibilidade do sistema.
A Bucka e as soluções em espuma sem flúor
A Bucka desenvolve e fornece sistemas completos de combate a incêndio com espuma, sempre com base em engenharia especializada, normas técnicas e testes de desempenho reconhecidos. A empresa avalia cada aplicação de forma individual, considerando o tipo de risco, o sistema existente e as exigências operacionais e ambientais do cliente.
Com experiência em indústrias, óleo e gás, parques de tanques e áreas de alto risco, a Bucka entrega soluções seguras, eficientes e alinhadas às exigências atuais e futuras do mercado.
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